Desde 1998 no coração
de Pouso Alegre
Antes de Pouso Alegre
A história do Vila Rica começa na estrada. No fim dos anos 90, José Alves — o Zito — e Shirley Raimundi haviam encerrado um negócio em Ponte Nova e procuravam um lugar para recomeçar. Percorreram o Sul de Minas conhecendo cidades, sem pressa e sem endereço certo, até chegar a Pouso Alegre. A cidade agradou. A decisão estava tomada: era ali que a nova etapa ia começar.
A aposta
Foi em Pouso Alegre que surgiu a oportunidade: um restaurante à venda, que já se chamava Vila Rica. Para assumi-lo, o casal vendeu praticamente tudo o que tinha. O nome ficou — e o risco também.
José já tinha experiência com açougue, e os dois sempre tiveram ligação com a cozinha mineira. Mas administrar um restaurante era outra história, e essa ninguém ensinou. Foi aprendida na prática, entre o balcão e a cozinha.
Um dia pagando o outro
No começo, o Vila Rica funcionava em dois turnos: almoço e jantar. O dinheiro que entrava durante o dia pagava as despesas da noite; o da noite mantinha as portas abertas no dia seguinte. Era um negócio que precisava se sustentar a cada 24 horas — e, com muito trabalho, se sustentou.
O almoço que virou rotina da cidade
Com o tempo, veio a decisão que definiria o restaurante: concentrar os esforços no almoço, no sistema self-service por quilo. A partir daí, o Vila Rica começou a se transformar no que é hoje. A comida melhorava, o gosto dos clientes ia sendo conhecido prato a prato, e a confiança se construía dia após dia.
O movimento cresceu. Quem almoçava uma vez, voltava — e muitos nunca mais deixaram de voltar. Ao longo dos anos, clientes se tornaram amigos da casa, presenças certas na hora do almoço. Para esses, o incomum não é estar no Vila Rica: é o dia em que a mesa de sempre fica vazia.
Duas casas, o mesmo cuidado
Anos depois, uma nova oportunidade: abrir a segunda unidade. O Vila Rica 2 nasceu no início dos anos 2000 e, depois de um primeiro endereço, chegou ao ponto onde está há quase duas décadas.
As duas unidades seguem a mesma rotina e o mesmo padrão de cuidado, mas cada uma monta o próprio cardápio, renovado diariamente. Os pratos de todo dia, aqueles que não podem faltar, permanecem; a variação vem nas carnes, nas massas e nos acompanhamentos: são pelo menos nove tipos de carne por dia, massas preparadas de formas diferentes e um bufê de saladas com grande variedade. De segunda a sábado, casa cheia, principalmente no pico do almoço, entre 12h40 e 13h40.
A cozinha acorda às 7h
Todos os dias, às 7h da manhã, o Vila Rica começa a trabalhar. A equipe chega, organiza o salão e os insumos, e a cozinha inicia o preparo, seguindo um cardápio montado na véspera, escrito à mão, como acontece desde o primeiro dia da casa. A comida é planejada para ser fresca: os pratos ficam prontos cerca de quinze minutos antes de o restaurante abrir, cada cozinheiro responsável por uma parte, tudo organizado para o bufê sair completo nesse curto espaço de tempo.
No salão, o fogão a lenha mantém a comida quente, e as panelas de pedra seguram o sabor que o fogo intensifica. A experiência começa pelos olhos — e termina no que sempre foi o principal componente dessa história: o sabor.
Entre os pratos mais lembrados estão a feijoada, o tutu de feijão, o feijão tropeiro, o camarão ao molho, o bife de fígado, a fraldinha, o frango com quiabo, a farofa de banana-da-terra, a pamonha de travessa, a costela de tambaqui e a tilápia grelhada, queridinha de todo mundo — além do arroz e do feijão, base de tudo. E, na sobremesa, os doces artesanais, como o pudim e as tortas. A lista completa não caberia aqui.
Quem faz o almoço acontecer
Nada disso acontece sozinho. Enquanto a cozinha trabalha, a equipe de salão prepara o ambiente e a de reposição organiza o bufê; às 10h, está todo mundo a postos para a chegada dos primeiros clientes.
Parte dessa equipe acompanha a casa desde o começo. É gente que viu o Vila Rica crescer por dentro — e que ajudou a construir o que o restaurante é hoje.
A comida em primeiro lugar
Desde o início, uma coisa permanece no centro de tudo: a comida. Para o Vila Rica, a experiência de um restaurante está no sabor, na variedade e na sensação de comer bem. A proposta é a mesma desde 1998: uma comida mineira de qualidade, feita com cuidado, daquelas que a pessoa pode comer todos os dias sem enjoar.
Essa proposta já foi posta à prova. O período mais delicado veio com a pandemia, que atingiu em cheio bares e restaurantes; o Vila Rica resistiu e voltou com força, sem abrir mão do que sempre o sustentou.
É essa constância — no sabor, no cuidado e na presença — que resume a história do Vila Rica: um recomeço que deu certo e virou parte do dia a dia de Pouso Alegre.